quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Em 2026 vamos repaginar, retomar, resignificar o percurso desse blog, abrindo para reflexões e interações, oxigenando com as experiencias clínicas e a arte, ambas sempre valiosa  para a psicanalise.  

BEM VINDOS AO PRIMEIRO DEGRAU


REPETIR, REPETIR, REPETIR ....

Nossa maior luta diária, é com os fantasmas que habitam nosso interior. Não se trata de estar tomado de algo maligno do qual deveríamos nos livrar, mas da força das marcas indeléveis deixadas como pegadas, em nós mesmos, que são muito mais presentes do que gostaríamos ou precisaríamos para viver em harmonia com esse mundão do lado de fora. Na verdade, a realidade externa nos coloca a todo momento em contato com o real, real esse que atravessa nossas entranhas e causa estranhamento e consequentemente, acorda e sacode esses nossos fantasmas.

Um filme antigo, “O feitiço do tempo”, ilustra o quanto a tarefa de fazer diferente, enfrentar a tentação diária de repetir seguindo as preciosas pegadas deixadas em nós, desde nossa primeira infância, exige determinação e uma grande dose de humildade e resignação. Vou explicar melhor.

 Diante das demandas da vida, sejam elas de ordem afetiva ou material, temos gravado em nós respostas defensivas que transformam o novo em velho e sagrado conhecido, para atender ao chamado mortal, de que nada mude, afastando o pulsar da vida, que é transformação e portanto, exige e impulsiona para mudança. 

Assim, uma situação nova e desconhecida ganha a roupagem do que já foi vivido, e a resposta a ser dada é a repetição, do já vivido. Em nome da estabilidade do já conhecido, desperdiçamos nossos dias, presos e amordaçados no passado.

Mas, quando se trata de psiquismo, não existe saída fácil. Essas mesmas marcas, que nos mantém presos ao passado, são tão importantes e fundamentais como o alicerce de uma construção.  Assim, poderíamos dizer que o grande desafio humano é aceitar a sua singularidade e limite diante de sua história, sem perder a oportunidade de utilizar cada novo dia para repaginar as marcas deixadas pelo passado.