quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Parasita, um filme provocante e brilhante.
Em alguns momentos risos nervosos na platéia, em outros risos de satisfação.
 Assim é a conturbada relação entre o bicho homem e o humano, dividido entre a dor da falta diante do limite a que estamos todos sujeitos, e as saídas que pervertem na tentativa de triunfar sobre o outro, negando nossa triste condição.
 O roteiro leva a uma reflexão sobre a lógica do capitalismo.  Seria certo utilizar da inteligência para arrumar um jeitinho, onde vale tudo, para tirar de quem supomos ter? Seria certo submeter quem não tem para afirmar que se tem?
  O capitalismo  promove emprego e diferença social e ao fazê-lo não despertaria um ataque invejoso de um lado e triunfante de outro, provocativo e destrutivo como na lógica da neurose fálica: nós só não temos porque eles tem, ou se tenho é porque sou mais esperto e melhor que você!
Instala-se uma guerra, apoiada na fantasia de que podemos escapar de nossa condição de sujeitos limitados. 
Como todo guerra, totalmente insana.

domingo, 10 de novembro de 2019

Humano Insano

Somos todos
Sujeitos em falta
Somos tolos
A fantasia nos salva

Sonhamos com alguém
Que nos tire a inquietação
Sofremos com alguém
Que nos expõe à insatisfação

O que não damos conta
O que nos assombra
O que nos revela
O que nos desmantela

É a ameaça
Da queda da fantasia
Tanto de ser salvo
Quanto de ser alvo

Assim seguimos
Construindo heróis
Salvadores da pátria

Assim seguimos
Construindo algozes
Destruidores da pátria

Do livro: Psique em versos - Poesia de analista