Parasita, um filme provocante e brilhante.
Em alguns momentos risos nervosos na platéia, em outros risos de satisfação.
Assim é a conturbada relação entre o bicho homem e o humano, dividido entre a dor da falta diante do limite a que estamos todos sujeitos, e as saídas que pervertem na tentativa de triunfar sobre o outro, negando nossa triste condição.
O roteiro leva a uma reflexão sobre a lógica do capitalismo. Seria certo utilizar da inteligência para arrumar um jeitinho, onde vale tudo, para tirar de quem supomos ter? Seria certo submeter quem não tem para afirmar que se tem?
O capitalismo promove emprego e diferença social e ao fazê-lo não despertaria um ataque invejoso de um lado e triunfante de outro, provocativo e destrutivo como na lógica da neurose fálica: nós só não temos porque eles tem, ou se tenho é porque sou mais esperto e melhor que você!
Instala-se uma guerra, apoiada na fantasia de que podemos escapar de nossa condição de sujeitos limitados.
Como todo guerra, totalmente insana.

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