domingo, 24 de maio de 2020





Coordenação: Sonia Pires 
Docentes: Ana Luisa Cordeiro, Maria Alice Lapastini, Mirmila Musse e Sonia Pires.
Suporte técnico de Informatica: Karina Fernandes 


Como devem ter percebido, vai demorar um pouco mais para podermos fazer algum tipo de reunião em grupo. Sendo assim, vimos oferecer o curso “Constituição e estrutura psíquica – olhares psicanalíticos singulares” online.

Utilizaremos a plataforma Zoom. 
Para adaptar o curso a esse formato foram necessárias alterações nas datas, horários e valores. 
Mesmo que você tenha feito sua inscrição no curso presencial, será necessário que faça sua confirmação de aceitação desse nosso formato, para que possamos fazer os acertos.  


            O curso pretende apresentar a compreensão dos principais teóricos da psicanálise a respeito da subjetividade humana, levando em conta seus singulares modos de compreender a constituição e a estruturação psíquica.
Como o sujeito se constrói? Como se sustenta, move-se e quais são suas verdades?
Cada módulo abordará um dos teóricos da psicanálise que, tomando como referência a obra de Freud, procuraram significar os confrontos da vida psíquica do sujeito diante de sua existência no mundo. Diferentemente de uma apresentação assentada em uma única abordagem psicanalítica, o curso pretende explorar diferentes abordagens, na expectativa de assim se distanciar de dogmas institucionais.

A QUEM SE DESTINA:
 Interessados, atuantes ou com desejo de atuar na clínica psicanalítica. Haverá uma entrevista prévia.

MÉTODO:
Pinçar na obra de cada autor, sua compreensão particular acerca da constituição e estrutura psíquica.

CARGA HORÁRIA: 
33 horas
Sábados a partir das 15h

PROGRAMAÇÃO:

Módulo I - Sigmund Freud 
Docente: Sonia Pires 
Três sábados das 15h às 17 h 
Datas:  13.06.2020 
             20.06.2020
             27.06.2020

Módulo II - Melanie Klein 
Docente: Maria Alice Lapastini
Três sábados das 15h às 17h
Datas: 11.07.2020
            18.07.2020
            25.07.2020

Módulo III - D. Winnicott
Docente: Maria Alice Lapastini
Três sábados das 15h às 17h
Datas: 08.08.2020
            15.08.2020
            22.08.2020

Módulo IV - J. Lacan 
Docente Mirmila Musse
Dois sábados das 15h ás 18h
Datas: 12.09.2020
            19.09.2020

Módulo V - Joyce McDougall
Dois sábados das 15h  as 18h
Docente: Ana Luisa Cordeiro 
Datas: 17.10.2020
            24.10.2020

Módulo VI - Encontro de abordagens 
Todos os docentes
Um sábado a partir das 15h
Data: 07.11.2020


INVESTIMENTO:
Tendo em vista a proposta não ser apenas de transmissão de conhecimento, mas também de diminuir barreiras e dogmatismos entre as abordagens, privilegiaremos as inscrições em todos os módulos. Para tanto ofereceremos um desconto de 20% para pagamento de todos os módulos a vista ou em três vezes,  ou parcelamento em seis vezes através de depósito agendado. 
O valor por módulo avulso é de 250,00 e de 1200,00  para todos os módulos (o pagamento deve ser realizados após entrevista até o dia 11 de junho 2020).


DOCENTES:
Sonia Pires – Psicóloga e psicanalista pelo curso de formação em psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, e Psicanálise Francesa pelo Instituto Langage, supervisora, escritora, atende em consultório desde 1980 em psicanálise desde 1989. Coordena grupos de estudos em psicanálise, tendo interesse particular na prática e formação do psicanalista em seu ofício. Nos últimos anos também tem se dedicado à poesia. Autora dos livros: Desamparo na Infância (2013), Psicanálise e Planos de Saúde (2014), Voternidade, ser avó, ser avô um doce desafio (2015), O Jeito de Amar de Cada um (2017), Inspiração no Analista (2019)  -  Amor na Rede – O jeito de Amar de Cada um em tempos de Internet (no prelo) e Coautora do livro,  Impacto da Má Noticia Médica Na Família (2016).

Maria Alice Lapastini – Psicóloga e psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae, mestre em Educação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Professora da pós-graduação lato senso da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atendimento para adolescentes e adultos em consultório particular desde 1980.

Mirmila  Musse– Mestre em Psicanálise pela Université Paris VIII e graduada em psicologia pela PUC São Paulo. Associada ao Centro de Investigação da Ansiedade (Clin-a), onde coordena um Ateliê de Leitura em psicanálise lacaniana. Professora de psicologia da Universidade Paulista, supervisora clínica e institucional, além de atuar em consultório particular. Tem experiencia nas áreas de Psicanálise, Gestão Institucional e Saúde Pública, atuando principalmente em temas relacionados à população em extrema vulnerabilidade social.
Ana Luísa Cordeiro – Psicóloga formada pela PUC-SP, Membro do Departamento de Psicossomática Psicanalítica do Instituto Sedes Sapientiae, onde também é professora desde 2015 e membro do EPW (Espaço Potencial Winnicott), no mesmo instituto desde 2009.

Inscrições até o dia 10 de junho de 2020
Agendamento de entrevista através do Whatzapp 11997683816 (Sonia)

O efeito traumático do Coronavírus

Nós humanos, somos os únicos seres vivos que sabemos da nossa finitude, mas como também sabemos da existência de um futuro, podemos planejar, criar artifícios, medidas protetoras que afastam essa notícia fatídica.
A rotina nos tranquiliza, dando a fantasia de que tudo está bem, sabemos o que irá acontecer em uma semana, um mês, um ano ou até mais. O planejar, nos conforta, apesar de nos manter em certa ansiedade.
Mas, tudo isso é passado, a notícia da pandemia, da quarentena, da necessidade de isolamento, tirou tudo do lugar, um tremor assustador, que só conhecíamos nos filmes de ficção, fraturaram nossas bases e temos medo, estamos sem nossas caras garantias da vida, algo que há menos de seis meses inimaginável.
O mundo inteiro, indistintamente, foi surpreendido com o rápido e desolador avanço de um vírus desconhecido.
Portanto, estamos sob efeito do trauma, todos nó
O trauma, segundo a psicanálise, é um acontecimento violento e desestruturante, na medida em que não existe recurso psíquico suficiente para ser sentido, sofrido, elaborado e processado.
Diante de uma situação traumática, as reações possíveis são de negação e atuação. Negar, não é apenas não poder sentir, é insistir categoricamente, alucinadamente que é uma invenção, histeria coletiva, ou mesmo algo que não acontecerá ou não está conosco. Os efeitos da negação são desastrosos, pois não dá oportunidade de que medidas curativas e protetoras possam ser tomadas, assim as consequências do trauma vão se alastrando desordenadamente.
Outra possibilidade diante do evento traumático é a atuação, o pânico o desespero desordenado, sem ao menos saber o por que? É a hora da compulsão.
Pode ser por compras exageradas como mantimentos, papel higiênico, ou qualquer coisa como forma de abastecer, sabe lá o que?
Compulsão por notícias, manter a mente totalmente envolta com o elemento traumático, consumindo o maior número de informações, em uma tentativa de não perder o controle sem poder se dar conta, que tal controle já foi perdido.
Compulsão por limpeza, um desespero por ter controle sobre o que está sujo, a casa, o carro, o próprio corpo, como se pudesse limpar assim esse vírus de sua vida.
Compulsão pelo trabalho, principalmente aqueles que estão trabalhando em casa, os horários já não delimitam o tempo, descarregar sem limite do próprio sono, alimentação até a exaustão como forma de afastar a notícia dolorosa e traumática.
Compulsão religiosa, não falo das religiões tradicionais, mas do número grande de mensagens despejadas nas redes explicando e conduzindo o momento, oferecendo fórmulas e dietas mágicas, o mar de fake news, todos freneticamente envolvidos em trazer algo que afaste a notícia que estamos com nossas bases fraturadas.
Muito teremos que caminhar, mal posso vislumbrar os próximos passos, afinal moro nesse planeta e também estou sob efeito do trauma. Mas, penso que ainda passaremos um longo período atordoados, tentando processar o tamanho dessa ferida na história da humanidade, a princípio, quando pudermos dar conta do desastre, teremos que enfrentar o luto, não apenas pela perda das vítimas fatais do Coronavírus, mas também pela perda de nossas vidas como eram antes de tal abalo e dolorosamente encontrar outro jeito de planejar nosso futuro. Espero viver para saber como será isso.
No momento só me resta o lema dos Alcoólicos Anônimos: Um dia de cada vez!