Impossível não se ver enroscado
nas coisas do coração. Podemos nos proteger é claro, mas na própria forma
de se defender do envolvimento, que inevitavelmente trará dor, nos revelamos de
forma escandalosa.
A mulher e o homem forte, que
pareciam ter controle sobre a própria vida, de repente desaparecem e no lugar
deles, surgem uma menina e um menino, totalmente perdidos com os sentimentos
confusos e atordoantes que brotaram sem aviso ou autorização naquele coração.
Fantasmas adormecidos há muitos anos surgem e trazem a tona as questões das
primeiras dores de amor. Ao retornarem roubam a cena, com todas as cores do mundo
infantil, passional, ambivalente, ambíguo e, portanto, extremamente
desconcertante.
Queremos ser amados, queremos
amar, mas não queremos pagar o preço de
tal desejo. Uma saída honrosa é jamais
permitir que o outro ultrapasse a nossa linha de segurança. Para tanto criamos
barreiras, nos blindamos e ironicamente reclamamos da falta de satisfação na
vida do vazio de nossos dias. No entanto, por mais justificativas que encontremos, em algum
lugar sabemos do quanto estamos nos protegendo da dor de amar.
Nosso primeiro amor foi o
materno. Nele encontramos a matriz de nossa existência. Estamos todos fadados a
escrever nossos próximos capítulos a partir dele. Assim, uma falha nesse
encontro, um mal-entendido ou a dupla mensagem, da mesma forma que o amor e
investimento afetivo intenso, ou uma possessão, serão os fantasmas com os quais
teremos que conviver.
Pobre de nós seres humanos, desejamos tanto reencontrar o amor perdido, que não nos damos conta, que ao
vivermos nossa história de amor seremos assombrados pelos fantasmas, que
inevitavelmente nos impendem de amar aquele que está diante de nós.
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