quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Coragem



Há muitos e muitos anos em um mundo muito longe daqui, morava uma menina. Ela não sabia ao certo como havia chegado lá, nem tampouco onde estariam as outras pessoas, o que ela sabia é que ela estava muito longe...

No primeiro dia em que acordou, sem nenhuma memória de onde tinha vindo muito menos de quem era, olhou a sua volta e encontrou o nada!

Por alguns dias encolheu-se em um canto qualquer e silenciosamente esperou que algo acontecesse, mas o nada reinava!

Precisava urgentemente fazer alguma coisa para afastar o nada,  as armas que tinha eram apenas as que moravam dentro dela protegidas do ataque do nada: a Fome, a Sede, o Desamparo a Solidão e o Medo.

         Junto delas e por causa delas, começou a sua viagem.
 
No caminho, ao mesmo tempo em que a Fome, a Sede o Desamparo e a Solidão ajudassem a encontrar saídas, o Medo era quem estava no comando.

 A Fome a ajudou a encontrar uma beterraba dentro da terra, mas o medo alertou sobre seu aspecto e seu gosto adocicado e ela diz:  hac que nojo, levando-a a cuspir.

A Sede a ajudou a encontrar um lago pequeno, mas o medo gritou dentro dela: a água está turva melhor não tomar, essa coisa suja vai te matar!

 O Desamparo encontrou uma arvore oca para passar a noite, mas o Medo disse que o lugar era pequeno demais e ela o deixou para trás.

A Solidão encontrou um ser estranho, feio e sem graça que ameaçou aproximar-se, mas o Medo alertou-a do perigo que corria e ela afastou-se rapidamente.

Seguiu caminhando e quanto mais o tempo passava mais a beterraba o lago e a árvore oca e o ser estranho tornavam-se importantes para ela, sonhava em reencontra-los, mas já haviam ficado para trás e descobriu então que naquele mundo não havia jeito de voltar, quando olhava para trás o caminho percorrido sumia como mágica.

Foi escurecendo e ela viu diante de si a noite chegar e ela era negra e assustadora, mas mais assustador ainda era não haver ninguém por perto para lhe fazer companhia.

 Foi quando algo com grandes asas saiu de dentro dela e disse: eu sou a Coragem, agarre-se a mim.

Desta vez ela não jogou fora o que encontrou e ao alçar voo nos ombros da coragem. Encontrou no caminho a Esperança, uma figura simpática e sorridente...

A partir de então uma infinidade de coisas, a menina a Coragem e a Esperança, viveram juntas e o medo não pode mais comandar!

 Conheceram outros lugares, alguns eram estranhos outros mais simpáticos e com aspecto conhecido.

Acompanhada da Coragem e da Esperança, ela conheceu e foi conhecida por muitos universos, onde encontrou comida, agua e seres das mais diversas espécies.

Certo dia ao acordar percebeu que a Fome, a Sede, o Medo, o Desamparo e a Solidão haviam ficado para trás naquele caminho sem volta e deu até certa saudade deles, mas alegrou-se ao olhar do seu lado e ver as suas amigas de viagem, a Coragem e a Esperança.

O que ficou para trás foi o passado, lugar que não dá para voltar, no caminho que é o presente encontrou a coragem para com ela voar no aqui e agora rumo ao futuro, que a gente não conhece e por isso precisa muito da companhia da Esperança para nele acreditar.

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