De dentro, produtos dos fantasmas ameaçadores criados por nós...
De fora, vindo dos céus, impostos pelas inevitáveis circunstancias
da vida a que todos estamos sujeitos...
Perigos reais, ou imaginários, não importa, todos são vividos ou temidos, e apavoram tanto que mal podem ser tocados...
Para tanto tumulto, tormento e
barulho assustador, avassalador, é preciso se prevenir, se proteger, criar
artifícios reais ou imaginários que limitem os riscos, e que nos dê a sensação de
segurança, estabilidade e constância. Tipo o “tudo bem não foi nada” da mãe
quando a criança chora depois de um tombo.
O efeito colateral dessa manobra, é que essa formula, não dá a menor noção de que
monstros enfrentamos, afinal mal podemos suportar deixá-lo em nós para dimensionar o
tamanho do perigo. Como a mãe que não olha os joelhos do garoto, sacode
rapidamente com tapinhas por cima das calças evita-se ver o machucado, mas ele continua sangrando.
Quando estamos diante de nossas angústias e temores, quase sempre, reveladores de nossos limites e de nossa finitude, também damos alguns tapinhas. Compramos, comemos
planejamos alguma coisa. Nos esquivamos,
dizendo que não é nada, mas por dentro sentimos o risco e em algum lugar, sabemos que levantamos muralhas,
alicerces, redomas protetoras, para não sermos atingidos pelo que inevitavelmente já nos atingiu.
O sucesso a comemoração, nem sempre são pelo bem conquistado, mas por ter conseguido se esquivar da certeza da dor inevitável que a vida nos impõe.
Outra manobra as vezes parece um paradoxo. Ao mesmo tempo que pulsamos e insistimos em sobreviver à morte, flertamos com ela, nos colocamos em situações de risco, numa tentativa louca de romper o limite da vida, para assim ter a sensação de controle sobre o incontrolável fluxo da vida.
Quando diante da morte de um bebê que acabou de nascer, da morte de uma jovem mãe, ou de um time inteiro de jogadores, nos perguntamos como a vida pode terminar para quem teria tantos capítulos a escrever?
Notícias como essas, acordam nossos fantasmas, que zelosamente mantemos protegidos, pois retiram o cobertor que encobre a nossa ignorância angustiante diante da morte, nos levado a sentir na pele, ao mesmo tempo, a fragilidade e a importância de cada minuto do nosso pulsar.

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