quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Anjo Azul



Existem pessoas, que parecem ter caído do céu na terra antes do tempo, para sacudir o mundo e acordar suas verdades amordaçadas.
Assim foi Marlene Dietrich, que me foi apresentada por esse portal incrível que é o teatro. Uma mulher questionando seu papel no início do século XX. Suas pernas, tornaram-se um símbolo sexual na época, pernas que a levaram para o mundo. Em tempos de valores rígidos onde o orgasmo feminino nem sequer era reconhecido, ela questiona, se impõe pelo seu desejo, sofre se perde e se encontra para se perder novamente.
Diante do grande impasse humano, ela quebra barreiras sociais e culturais, e principalmente políticas, ama seu país, a Alemanha, mas abomina a guerra e o nazismo, se torna cidadã americana, o que para um homem já seria algo inusitado, imagine para uma mulher famosa da época.
Perde viver seus amores, desde com a filha até com o amor da sua vida, para ser fiel a si mesma, a seu grande desejo de liberdade.
Uma trajetória incrível e louvável em tempos difíceis e rígidos. Mas, me despertou uma questão:
O quanto esse desejo de liberdade fala do temor dos vínculos tão próprio dos nossos tempos? Se envolver com alguém exige entrega, o que causa temor da perda, tanto de seus contornos, quanto do amado.
Como se envolver e não se perder no outro, ser fiel a si mesmo, considerando a existência e o desejo do outro?
Como suportar se envolver, na inevitável corda bamba do risco de perder o que dia a dia vai lhe ficando cada vez mais caro?

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