terça-feira, 1 de outubro de 2019

O ataque ao feminino







Assisti dois filmes nos últimos dias que me fizeram pensar sobre a condição feminina. O primeiro, Filhas do sol, revela a forma particular que as mulheres enfrentam a guerra, as adversidades, ao mesmo tempo as atrocidades a que está sujeita em relação a seu corpo. O afeto entre elas misturado com a dor e a revolta, leva o expectador a sentir a força das relações, nas situações de ameaça, como o ingrediente mais poderoso e vital entre nós humanos. Em contrapartida a presença masculina é cruel e revela a submissão sexual como um ato de poder. Parece que violentar a mulher ou mesmo a menina do inimigo tem um gozo sádico descomunal, algo brutal distante até do comportamento animal.
Podemos refletir que na guerra se perde a noção de humanidade, que os parâmetros são outros, pois diríamos que estão todos envolvidos com princípios desconhecidos, onde matar ou morrer é a questão.
 Mas, quando assisti o segundo filme, Clair Obscur, percebi que a violência sexual contra a mulher é algo muito maior, está embutido nas relações afetivas mais "normais" tanto quanto nas relações de poder culturais. Nesse filme duas protagonistas, de mundos totalmente diferentes, custam a perceber sua condição de "abusada”.
Aos poucos, as sensações de indignação despertadas, em um filme longe das guerras, se aproximam das que senti no primeiro filme.
O que haveria de tão atraente e poderoso na condição feminina, para provocar tamanho gozo sádico no outro?

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