Assisti dois filmes nos últimos dias que me fizeram pensar
sobre a condição feminina. O primeiro, Filhas do sol, revela a forma particular
que as mulheres enfrentam a guerra, as adversidades, ao mesmo tempo as
atrocidades a que está sujeita em relação a seu corpo. O afeto entre elas
misturado com a dor e a revolta, leva o expectador a sentir a força das
relações, nas situações de ameaça, como o ingrediente mais poderoso e vital
entre nós humanos. Em contrapartida a presença masculina é cruel e revela a
submissão sexual como um ato de poder. Parece que violentar a mulher ou mesmo a
menina do inimigo tem um gozo sádico descomunal, algo brutal distante até do
comportamento animal.
Podemos refletir que na guerra se perde a noção de
humanidade, que os parâmetros são outros, pois diríamos que estão todos
envolvidos com princípios desconhecidos, onde matar ou morrer é a questão.
Mas, quando assisti o
segundo filme, Clair Obscur, percebi que a violência sexual contra a mulher é
algo muito maior, está embutido nas relações afetivas mais "normais"
tanto quanto nas relações de poder culturais. Nesse filme duas protagonistas,
de mundos totalmente diferentes, custam a perceber sua condição de
"abusada”.
Aos poucos, as sensações de indignação despertadas, em um
filme longe das guerras, se aproximam das que senti no primeiro filme.
O que haveria de tão atraente e poderoso na condição
feminina, para provocar tamanho gozo sádico no outro?


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