A
genialidade inevitavelmente necessita do exercício da liberdade. Só um homem
livre das amarras de seu tempo, pode transcendê-lo e vislumbrar o inovador, que
muitas vezes se revela intocável diante de nós.
Em um
breve passeio na mostra Leonardo Da Vinci, 500 anos de um gênio, no Mis
Experience, percebi que todas as suas descobertas e obras são inspiradas na
escancarada e desconhecida perfeição da natureza que ele tenta explorar,
conhecer, e se apropriar incessantemente.
Toda
sua criação sem exceção, inclusive a da mais popular Monalisa, tentam captar e
entender a arte misteriosa e sedutora da natureza, que desfila todos os dias
diante de nossos olhos. Tenta decifrar a unicidade perfeita de todos os eventos
do universo.
Ele
diz, existem três tipos de pessoas, as que veem, as que veem quando alguém lhes
mostra e as que não veem.
Definitivamente só os gênios como ele podem transpor
a barreira do que é definitivo, aprendido e determinado cultural e socialmente,
para ver. No geral nós pobres mortais, sujeitos a todo tipo de crenças e
convicções fazemos parte do grupo de pessoas que não veem. Precisamos das supostas verdades trasmitidas
desde que nascemos, para nós apoiamos e nos sentirmos seguros diante da nossa
angustiante ignorância.
Ao
me deparar, com um olhar quase infantil com a manifestação ali exposta, daquele
homem inquieto e angustiado pela sua capacidade e liberdade de ver, refleti que
talvez tenhamos momentos geniais como ele, fazendo parte da segunda categoria,
os que veem quando lhes mostram, quando algo que nos é apresentado, pode
adentrar pela fresta das nossas defesas, e seguras certezas. No geral um momento fugidio e angustiante,
capaz de nos colocar diante da necessidade de rever nossos conceitos,
convicções e visão do que nos rodeia cotidianamente.
Desde o redescobrimento das proporções
matemáticas perfeitas do corpo humano no desenho do homem Vitruviano, até a sutileza
do sorriso da Monalisa, sua capacidade maior não estava apenas na coragem de
quebrar conceitos e regras, mas também no reconhecimento de sua própria ignorância
e limitação, associada a seu potencial para não paralisar diante delas, mesmo
que angustiantes, ao contrário ele as utilizava como força motriz para sua
criação, dizendo:
“A
necessidade é a melhor mestra e guia da natureza.
A necessidade é terna e inventora, o eterno
freio e lei da natureza”.
Coisa de gênio!

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