Já se sentiu avulso na vida?
Pareço estar em um balaio de meias, aos poucos todas a volta, vão se juntando e encontrando o par, e fica tudo certo, não importa se estão feias, velhas ou furadas, a condição de ter par faz delas, vamos dizer, felizes, úteis, com propósito. Já as que, “sobram”, podem ser lindas, novas, perfeitas, mas perdem a serventia, até o plural usual, “meias” fica estranho para se referir a elas. Ser par, é que faz delas meias, coisa esquisita.
Será que já não é hora da revolução das meias?
Poderíamos pra começar chama-las no singular. Elas são singulares, ficou melhor, mas, aí seria meia e não um inteiro singular.
Talvez a revolução das meias passe por deixar de ter seu valor marcado pela serventia. Talvez a analogia com as meias fale mais da nossa necessidade de ocupar o lugar de necessário ou necessitado.
Pensando assim, me distancio das meias e passo a pensar que essa sensação de ser avulso na vida seja porque não conseguimos nos imaginar felizes, satisfeitos se não estivermos satisfazendo o desejo de alguém, mesmo que brigando por liberdade e independência, não sabemos direito onde colocar nosso desejo legitimo, aliás muitas vezes não sabemos nem como identifica-los. Se não tenho um par que me define, quem sou?
Então saímos de cabeça baixa, feito meia sem par, em busca do par que nos complete e dê sentido na vida, deixando de lado a busca do que verdadeiramente seriam nossos contornos, angustias e desejos. Vamos lá calçar alguém, sem sabermos direito o que seria isso, ou a que preço.
Quer saber, depois dessa conversa, não estou mais com vontade de ser meia, quero mesmo é ser inteira, topando a sensação incomoda de ser avulso, vamos ver onde vai dar!

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