terça-feira, 16 de agosto de 2022

CORINGA

 



O palhaço tem história.  Não é o acaso que o levou para esse caminho.  

O vilão de Gothan City tem história. Triste, paradoxalmente sintomatizada em riso compulsivo.

Um filme em ritmo compassado, convidando o expectador a compreender os motivos daquele que faz parte dos males da cidade, combatido pelo herói Batman. 

A loucura é o tema central, a justiça perde suas vestes diante dela. Como condenar alguém que não teve condições mínimas de se estruturar?

Do herói que tenta limpar a cidade salvar e defender os oprimidos, para o vilão que se revolta contra a humilhação e sofrimento diário de sua história catastrófica. De um extremo a outro movidos pelo mesmo incomodo, a opressão.

Sofrimento que faz doer desde o início do filme, subjugado, chutado por um grupo de garotos, subjugado e chutado pelos que o contratam como palhaço, e por fim amordaçado por uma mãe dependente e entorpecida pelos programas de TV e fantasias de salvação. A cereja do bolo, a descoberta de fatos sobre sua origem e infância. 

Culpar a quem?

Nossos heróis tinham a quem culpar, afinal existia os bons e os maus muito bem definido.

O filme O coringa, desconstrói a imagem do mal como algo triunfante e perverso, do simples prazer de destruir. Ao contrário, o revela como o retorno do reprimido descontrolada-mente, mas como o nosso herói, ele também vem reagir ao mal que o oprimiu. Alivia-se do pesar destruindo imaginariamente, quem lhe trouxe pesar.

O sintoma, riso compulsivo passa a ser seu novo modo de vida, gargalhar sadicamente diante do gozo poderoso de destruir e subjugar, os que lhe fizeram ou fazem mal, louca e indiscriminada-mente.  

 

 

 

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