O
palhaço tem história. Não é o acaso que
o levou para esse caminho.
O
vilão de Gothan City tem história. Triste, paradoxalmente sintomatizada em riso
compulsivo.
Um
filme em ritmo compassado, convidando o expectador a compreender os motivos daquele
que faz parte dos males da cidade, combatido pelo herói Batman.
A
loucura é o tema central, a justiça perde suas vestes diante dela. Como
condenar alguém que não teve condições mínimas de se estruturar?
Do
herói que tenta limpar a cidade salvar e defender os oprimidos, para o vilão
que se revolta contra a humilhação e sofrimento diário de sua história
catastrófica. De um extremo a outro movidos pelo mesmo incomodo, a opressão.
Sofrimento
que faz doer desde o início do filme, subjugado, chutado por um grupo de
garotos, subjugado e chutado pelos que o contratam como palhaço, e por fim
amordaçado por uma mãe dependente e entorpecida pelos programas de TV e
fantasias de salvação. A cereja do bolo, a descoberta de fatos sobre sua origem
e infância.
Culpar
a quem?
Nossos
heróis tinham a quem culpar, afinal existia os bons e os maus muito bem
definido.
O filme
O coringa, desconstrói a imagem do mal como algo triunfante e perverso, do
simples prazer de destruir. Ao contrário, o revela como o retorno do reprimido
descontrolada-mente, mas como o nosso herói, ele também vem reagir ao mal que o
oprimiu. Alivia-se do pesar destruindo imaginariamente, quem lhe trouxe pesar.
O
sintoma, riso compulsivo passa a ser seu novo modo de vida, gargalhar
sadicamente diante do gozo poderoso de destruir e subjugar, os que lhe fizeram
ou fazem mal, louca e indiscriminada-mente.

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